Empresários chineses discutindo estratégias em ambiente corporativo moderno e competitivo

Nos últimos anos, acompanhando as mudanças econômicas e empresariais da China, percebi como a palavra 内卷 “neijuan” vem ganhando espaço nas discussões entre investidores, consultores e mesmo empresários que atuam com importação. O termo, difícil de traduzir de forma literal, expressa uma realidade que se desenrola em vários setores chineses: intensa disputa por espaço, recursos e resultados rápidos, ainda que o ambiente já esteja saturado. Em tradução livre, “neijuan” se refere a uma involução causada pelo excesso de competição.

Para quem já teve contato direto com fornecedores chineses, como ocorre na Importe da China, entender o impacto do neijuan é fundamental tanto para planejar estratégias de negócios quanto para garantir operações mais sustentáveis. Afinal, essa competição leva a resultados inesperados, preços abaixo do viável e dificuldades na inovação de fato.

Como surgiu o conceito de 内卷 “neijuan”?

O termo 内卷 “neijuan” faz parte do vocabulário acadêmico chinês há décadas, mas ganhou maior destaque na boca do povo nos anos recentes. A definição pode ser resumida assim:

Involução é competir por qualquer vantagem, mesmo quando o mercado já está saturado e os custos aumentam para todos.

Esse comportamento reflete um ambiente em que empresas e trabalhadores fazem de tudo para se destacar em meio a uma multidão, mas, no fim, ninguém realmente avança. Vi exemplos disso nas cidades chinesas: empresas lançando produtos muito parecidos, cortes em margens de lucro e guerras de preços insustentáveis.

Relatórios recentes apontam que, em julho de 2025, a produção industrial da China cresceu apenas 5,7% em relação ao ano anterior, o ritmo mais lento em oito meses, enquanto as vendas no varejo também desaceleraram.

A visão de David Siegel: IA e competição por tecnologia

No Family Business Summit em Hong Kong, organizado pelo South China Morning Post e Blue Pool Capital, ouvi uma perspectiva interessante do gestor David Siegel. Ele destacou que, apesar do entusiasmo global com a inteligência artificial, a China adota uma postura mais focada no lado prático. Para Siegel, essa abordagem se mostra mais eficiente.

Segundo ele, nos setores onde a competição é exagerada, geralmente áreas de produtos mais comoditizados ou básicos, a “involução” se faz presente. Nesses ambientes, o excesso de empresas disputando fatias mínimas só agrava o problema: todos baixam preços, ninguém inova de verdade e os recursos se esvaem.

Por outro lado, em segmentos que realmente trazem inovação, setores ainda não dominados e em fase de estruturação, o cenário muda. As empresas que investem em tecnologias profundas, como algumas estrelas da inteligência artificial, biotecnologia e eletrificação, ainda preservam fôlego para correr riscos e criar soluções novas.

O excesso de competição em mercados saturados limita a capacidade de inovar e investir em tecnologias disruptivas.

Neijuan na prática: exemplos e impactos sobre empresas

Vivi algumas situações curiosas ao acompanhar empresas privadas na China. Duas áreas chamaram minha atenção: o setor de bicicletas compartilhadas e fabricantes de veículos elétricos.

  • Em poucos anos, dezenas de companhias lotaram as ruas com bicicletas coloridas, brigando para dominar cada quarteirão. As tarifas caíram tanto que até a manutenção das bikes ficou inviável. Muitas delas sumiram do mapa em pouco tempo.
  • No universo dos veículos elétricos, observou-se uma quantidade surpreendente de marcas surgindo e tentando superar umas às outras por meio de descontos agressivos e multiplicando investimentos em marketing. Os preços desabaram, mas várias dessas empresas enfrentaram grandes prejuízos ou precisaram se reinventar rapidamente.

Esses exemplos ilustram bem a dinâmica da involução. Quando muitas organizações brigam pelas mesmas fatias de um bolo que já está pequeno, todos saem perdendo em algum momento. O excesso de oferta e a necessidade de cortar margens limitam o espaço para pesquisa, novas soluções e melhorias de longo prazo.

Por que a involução ficou mais acentuada nos últimos anos?

Acompanho notícias e estudos que apontam: desde o início da década de 2020, a economia chinesa começou a demonstrar sinais de desaceleração. O crescimento industrial já não atinge mais os níveis de anos anteriores, e a confiança do consumidor diminuiu.

Isso gera um efeito bola de neve:

  • Com menos crescimento, as empresas tentam compensar conquistando fatias dos concorrentes.
  • A competição intensa comprime ainda mais os lucros.
  • Menos lucro significa menos recursos para investir em projetos realmente inovadores.
  • Saturação de talentos em alguns setores faz com que trabalhadores aceitem condições menos favoráveis só para não ficarem para trás.

Conforme destaquei antes, medidas do governo chinês mostram que o presidente Xi Jinping e sua equipe reconhecem o problema. Eles defendem a necessidade de frear esse modelo de competição perversa, com discursos públicos reforçando a urgência de combater guerras de preços e proteger a capacidade produtiva nacional.

O contraste entre inovação e competição excessiva

É interessante ressaltar: mesmo com o fenômeno do neijuan presente, setores da economia chinesa continuam avançando tecnologicamente. Dados do jornal O Globo mostram que, em áreas como veículos elétricos, energia solar, IA e telecomunicações, a China já supera os Estados Unidos em número de patentes depositadas. Esse avanço está mais ligado ao planejamento estatal e a incentivos para inovação disruptiva, raramente resultado exclusivo da competição não controlada.

Se paro para pensar, fica claro que competição saudável é diferente de competição tóxica. Ambientes colaborativos e com objetivos definidos permitem crescimento com menos desgaste. Isso também reforça a importância de consultorias experientes, como a consultoria para importação da Importe da China: entender o mercado, mapear riscos e negociar de forma estratégica é mais eficiente do que apenas tentar sair na frente a qualquer custo.

Como repensar estratégias em meio ao 内卷 neijuan?

Refletindo sobre essa realidade, vejo algumas rotas que ajudam empreendedores e gestores a driblar o excesso de competição:

  • Buscar diferenciação genuína, não apenas em preço, mas em proposta de valor, atendimento, tecnologia, ou integração de serviços.
  • Construir relações de longo prazo com parceiros e fornecedores, promovendo confiança e colaboração.
  • Mapear novos nichos, onde a competição ainda não cresceu tanto e há espaço para criar algo exclusivo.
  • Investir em capacitação, treinamento e atualização constante do time.
  • Consultar especialistas com experiência em negociação e análise do cenário chinês, como os profissionais da assessoria completa de importação.

Vejo também importância fundamental na verticalização inteligente da produção, usando ferramentas de sourcing e procurement, para evitar depender de fornecedores extremamente pressionados pelo neijuan.

Conclusão

Aprendi, em minha trajetória lidando com importação e tendências de negócios na China, que a competição em excesso pode ser um tiro no pé quando o foco deveria ser inovar e construir soluções de longo prazo. O neijuan é um alerta: nem sempre correr mais rápido garante chegar mais longe. Buscar conhecimento, estar atento às mudanças globais e contar com parceiros certos faz toda diferença.

Se você busca importar da China de forma estratégica, segura e diferenciada, recomendo conhecer os serviços personalizados da Importe da China. Use o suporte local para criar novas oportunidades, evitando armadilhas desse ambiente competitivo. Consulte também nossa área de perguntas frequentes para tirar dúvidas ou visite nosso blog para ficar por dentro das tendências do mercado chinês.

Perguntas frequentes sobre Neijuan e inovação na China

O que é 内卷 Neijuan na China?

Neijuan é um termo chinês que significa "involução" e define um ambiente hipercompetitivo, onde empresas e pessoas disputam espaço ou vantagens mesmo em mercados saturados e com poucos recursos disponíveis. O resultado geralmente são preços insustentáveis, queda de margens e pouco espaço para inovação real.

Por que 内卷 Neijuan dificulta a inovação?

Quando a competição é excessiva, as empresas tendem a focar apenas em sobreviver e conquistar pequenas vantagens imediatas. Isso reduz a margem para investir em novidades, pesquisas e projetos de longo prazo. Com margens comprimidas e mercados saturados, a capacidade de inovar fica limitada.

Como a competição afeta empresas chinesas?

A competição exagerada pode levar a guerras de preços, abusos de recursos e estratégias de curto prazo. Muitas empresas acabam com dificuldades financeiras ou precisam abandonar o mercado. O excesso de negócios parecidos reduz a possibilidade de diferenciação e torna o setor pouco atrativo no longo prazo.

Quais setores mais sofrem com 内卷 Neijuan?

Setores de produtos comoditizados, como bikes compartilhadas, eletrônicos básicos e algumas áreas do varejo, tendem a ser mais impactados. Mercados com fácil entrada e pouco foco em inovação normalmente enfrentam mais o problema do neijuan.

Existe solução para o excesso de competição?

Sim, é possível adotar estratégias para escapar da involução: buscar diferenciação real, investir em inovação, construir relações de confiança e seguir com planejamento de longo prazo. O governo chinês também já atua para combater a competição desordenada, trazendo leis e incentivos para promover ambientes empresariais mais saudáveis.

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Felipe Peixoto

Sobre o Autor

Felipe Peixoto

Felipe é apaixonado por facilitar negócios internacionais e ajudar empresas brasileiras a superarem os desafios do comércio exterior. Ele dedica-se a descomplicar o processo de importação direta da China, orientando empresários, pequenas e médias empresas com soluções práticas e seguras. Interessado em logística, negociação e certificações, Felipe acredita que conhecimento acessível e ferramentas certas podem transformar o sucesso das importações brasileiras.

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